
Tava conferindo umas notícias e achei essa manchete curiosa, resolvi ler.
Rastafaris entram no clima da Copa
http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2010/06/rastafaris-entram-no-clima-da-copa.htmlO que achei mais curioso é a parte em que diz assim:
"Estamos muito felizes pela Copa ser aqui e termos essa oportunidade de trocarmos experiências com pessoas de todo o planeta. É um sentimento de amizade rasta – disse Dowie Afrikaner, guia da comunidade que faz parte do roteiro de atrações turísticas de Knysna."
Provavelmente eles não sabem de muita coisa que está acontecendo por causa da Copa.
Trago então para vocês, algumas informações que obtive lendo a revista Piauí, num artigo de Daniela Pinheiro.
Quem tiver acesso e puder ler o artigo inteiro, vale a pena!
Aí vai:
Na Cidade do Cabo, existe um subúrbio chamado Athlone onde a maioria que ali vive é pobre e desempregada.
O local é repleto de favelas, e uma das poucas atrações que ali existem é o estádio de futebol que costuma ser palco das finais do campeonato regional.
Encarregados de selecionar os locais dos jogos na Copa do Mundo na cidade, a prefeitura e o governo da província sugeriram Athlone. As autoridades vislumbraram a possibilidade de, finalmente, criar empregos na periferia da segunda maior cidade do país. A ideia era aproveitar o evento para pavimentar avenidas, construir novas casas, reformar as antigas, incrementar o transporte público.
A comitiva da Fifa foi informada da importância de escolha de Athlone para a melhoria da vida de milhares de pessoas que moram ali. Porém, a comitiva está mais interessada no público global da Copa do que na particularidade nacional.
"Os bilhões de espectadores não querem ver favelas e pobreza pela televisão", disse um dos inspetores da Fifa ao jornal Mail & Guardian.
Anunciou-se então a construção de um novo estádio num dos bairros mais ricos da Cidade do Cabo. O estádio Green Point foi erguido entre o mar e a Table Mountain, o cartão postal da cidade. A área que era uma das poucas reservas verdes da cidade, foi substituída pelo estádio.
Mais dados:
O Parque Kruger é a maior reserva natural da África. Em 2006, um consórcio ganhou a licitação para construção de um estádio na entrada do Kruger.
Entre as exigências do grupo, estava a de que engenheiros e trabalhadores especializados fossem instalados onde a luz e os aparelhos de ar condicionado estivessem garantidos.
A única edificação em condições era uma escola primária de uma favela perto da obra.
O governo da província não teve dúvida: há 3 anos a escola abriga o alojamento dos trabalhadores.
E as crianças foram transferidas para salas provisórias, em conteiners de alumínio sem ventilação nem janelas.
O estádio custou 140 milhões de dólares. Depois da Copa, dificilmente lotará os seus 46 mil lugares. Sua construção foi acompanhada por um escarcéu de suspeitas de corrupção, superfaturamento e desvio de verbas.
A contragosto, o governo formou uma comissão para apurar as denúncias.
Uma semana antes de ser convocado para prestar depoimento, o porta-voz de uma comunidade pobre na região, Jimmy Mohala, foi assassinado em frente a sua casa por homens encapuzados.
No início do ano, Sammy Mpatlanyane, vice-diretor do Departamento de Esportes, Cultura e Recreação, também foi morto a tiros.
Não to aqui pra julgar ninguém, mas me parece que os rastas da maior comunidade da África do Sul estão um pouco desinformados.
Essas são apenas algumas das informações do lado obscuro da copa.
Quem se interessar em saber mais, procure pela revista Piauí edição 44, de maio.