Definitivamente sou contra o fato de termos campanhas publicitárias divulgando os candidatos às eleições.
A eleição no Brasil por si só já é algo muito contraditório, pois votamos num sistema democrático, só que na verdade somos obrigados a votar, quando isso deveria ser uma opção.
Quando um político emprega dinheiro no desenvolvimento de campanhas publicitárias, desponta um outro tipo de contradição: Cargo político é produto?
Junte os milhões gastos com a campanha dos candidatos X, Y e Z e imagine quantas opções melhores existem para se empregar esse dinheiro no nosso país.
Empresas investem grana alta nas campanhas eleitorais, e logicamente depois a maioria desses candidatos tem que dar a contrapartida por essa grana. É nesse momento que surgem rabos presos, lobbys, licitações forjadas e superfaturamentos a rodo.
Na política deveríamos ver candidatos dispostos a trabalhar por algo em que realmente acreditam, no entanto não é o que acontece com a maioria.
Como mudar isso?
Qualquer político devia ser obrigado a utilizar o sistema público de saúde e de ensino, assim como sua esposa e seus filhos.
O voto não deveria ser obrigatório. Quem sabe acontecendo um absurdo (como se já não fosse absurdo ver o que vemos nas propagandas) nas eleições, o brasileiro aprende que não pode vacilar com o voto.
Os candidatos deveriam ter um tempo mínimo para exposição de ideias na televisão, no radio e nos jornais impressos seguindo um padrão de concessão, para que não fiquemos assistindo esses vídeos emocionantes no estilo Rede Globo de novelas, onde quem tem mais grana é quem pode investir mais na sua campanha, logo é quem apresenta as melhores novelas.
Sabemos que essa não é uma questão diretamente proporcional do tipo: mais grana = melhores campanhas = melhor candidato.
Um exemplo bem tosco que gosto de usar para explicar o que estou querendo dizer, mas que deixa tudo bem fácil de entender é o seguinte:
Se perguntar-mos às pessoas ao nosso redor o que elas tem tomado em maior quantidade ultimamente: sucos industrializados, refrigerantes ou sucos naturais? Garanto que a maioria das respostas não apontará para os sucos naturais.
Pois é...assistimos na TV propagandas dizendo o quanto faz bem tomar um suco natural de limão sem anunciar qualquer produto específico?
Sei que assistimos propagandas maravilhosas da Coca-Cola.
E isso nos faz acreditar que tomar Coca-Cola é melhor para a nossa saúde do que um suco natural?
São âmbitos diferentes, mas a analogia foi feita para chegarmos numa conclusão bem simples: cargos políticos não são produtos para venda.
Eu não concordo com o atual modelo de eleições no Brasil.