Insônia.
Mas não por falta de sono, nem por falta de cansaço.
Sem culpa, sem peso.
Mas com tantos sonhos, tantas dúvidas, tantos desejos e algumas vontades.
Novo demais para se acomodar, talvez velho demais pra se jogar.
Medo daquilo que aprendeu a temer, querendo acreditar que seus sonhos possam se realizar um dia.
O maior sonho? Aceitar a condição e não se ferir.
Aceitar a condição e sorrir, tirar o melhor dela, encontrar e cumprir uma missão.
Ainda está aqui, sem saber a duração de cada passagem, mas entendendo que cada dia é tão breve quanto tão longo para desperdiçar ou para querer resolver o mundo.
Um certo gosto por paixões de um dia, um gosto por amores de semanas, gosto pelas poucas horas que parecem durar mais de um mês.
Com a música fora e a música dentro, ouvindo e aprendendo, devolvendo e ensinando, buscando nela sempre a melhor forma para se entender. Se aproximando do entendimento ao se expressar, ou cultivando mais ideias para sonhar. Mais ideias para acordar...para dormir.
Somando pessoas e lugares para sentir saudades.
E a cada novo sorriso que contagia, a cada novo abraço que acalanta, a cada nova palavra que conforta e uma mente atenta disposta a tentar se entender, uma nova sensação se revela dentro como uma surpresa.
E a cada nova sensação, aquela impressão de que tudo está se resolvendo.
Mas uma mente atenta, observadora, inquieta, criativa e sedenta...nunca se resolve.
A resolução que era uma impressão, se transforma numa pavorosa certeza: incerteza.
Admirável a capacidade de no meio do furacão olhar para dentro e dizer: obrigado.
Se lembra dos rostos de sua família, a de sangue e a de sintonia.
Pensa em todos, agradece a presença de todos em sua vida, entende a importância de cada um para si e para o mundo...e aos poucos compreende a importância, necessidade e essência dos conflitos.
Às vezes os olhos brilham de paixão pela vida, e às vezes brilham como os olhos de uma criança com medo em meio a lágrimas.
Um abraço talvez o salve da agonia por algumas horas, por alguns dias...mas ainda não encontrou o abraço eterno. Existe isso?
Ainda não encontrou o seu próprio abraço.
Consegue então agradecer ao furacão e luta fortemente dentro dele, segura em suas próprias mãos, protege a própria mente e acredita que ao passar por ele, poderá transmitir para alguém novos ensinamentos.
O sorriso presente nas ruas, nem sempre reflete a realidade que existe ali dentro.
E a simples pergunta: porque?
Não, já não se preocupa mais em responder. Já aprendeu que se não acontecessem algumas coisas espontâneas e involuntárias em sua vida, seria então privado de calejar a alma.
É o que a fortalece.
Mas qual a sua força? Ainda luta, e segura firme em suas próprias mãos.
Mais uma vez a claridade se apresenta intensa.
Ainda bem que mesmo entre nuvens e temporais, um raio de luz ainda consegue escapar e adentrar o quarto.
Mais um dia: lutar para sonhar, para sonhar em nunca parar de lutar.
Pelo mundo?
Não. Agora a luta é por ele.
