domingo, 18 de novembro de 2018

Fagulha

Me lembro muito bem de uma vez que estava viajando e senti falta de ir a um culto.
Entrei em uma igreja simplesmente pra aproveitar o momento de louvor e me conectar.
Eu estava de férias, na praia...tinha a barba bem grande e vestia uma camiseta de time de basquete, bermuda e chinelo.
Minha primeira sensação ruim, foi quando a pastora deu uma enorme bronca na baterista da banda, de forma super arrogante e depois também a mesma bronca no técnico de som o expondo como incompetente pela microfonia.
A segunda sensação ruim, foi quando perguntou quem nunca tinha ido àquela igreja, pedindo que as pessoas se levantassem e se apresentassem.
Fiquei na minha, mas ela me viu, me pediu pra levantar e apresentar (desnecessária invasão).
Quando pediu para que todos da igreja se levantassem e fossem abraçar os "novatos", me lembro bem de estar numa igreja com umas 200 pessoas, e todos os novatos tinham amigos, conhecidos...eu era o único realmente avulso.
2 pessoas vieram me cumprimentar.
A pior parte veio quando uma pastora norte americana foi chamada pra falar e de repente no meio do sermão, começou a dizer que o problema do Brasil é que não declarávamos bençãos sobre nossos políticos, e por isso não tínhamos um bom presidente como o Trump.
Olhei ao meu redor, percebi que não havia um negro ou um pobre no local...
Foi quando me levantei e saí.
É preciso ser muito forte e convicto nessa hora pra entender que tudo isso nada tem a ver com Jesus, e não abandonar sua fé.
Às vezes me sinto sozinho na busca de um cristão frente às tentações da Babilônia.
E às vezes me sinto sozinho em meio a cristãos também.
Aquela fagulha nunca foi tão importante.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Ironia do destino

Que ironia do destino 😄
Em 2015 estive por 8 meses em tratamento (como muitos aqui já sabem).
O tratamento era disciplinar, de auto conhecimento, regado a laborterapia, psicoterapia e muita espiritualidade!
Remédios? Só da horta de medicinais cuidada com tanto amor pela dona Beth.
Mas o que quero relatar agora é que:
Por 8 meses eu levantava às 6h com o soar de um sino, tinha que arrumar a cama deixando tudo esticadinho, com tempo pra tomar o café, lavar o rosto e me preparar para a espiritualidade.
Fazia parte das laborterapias pegar às vezes por uma semana o setor da cozinha e cozinhar para 10 ou 15 pessoas todos os dias em todas as refeições.
Não foram poucas às vezes em que surgiram imprevistos durante o dia que me testaram e testaram minha capacidade de resiliência, humildade, flexibilidade.
Era Felippe Marino pedindo pra fazer suco de mangas colhidas 15 minutos antes de servirmos, ou Edwin Miler pedindo pra fritar as cascas das batatas faltando 30 minutos pro almoço, quando não surgia de repente o pessoal da dedetização, e de repente eu não tinha nada na cozinha e na hora do jantar tinha que cozinhar na correria com tudo "desorganizado".
Romildo Pecoraro Rizzo abaixando pra ver se tinha grão de arroz esquecido em baixo do fogão era uma lei - e algumas vezes não passei na análise final 😂
Após cada refeição, a lição de "início, meio e fim" - tudo limpo, tudo no lugar, NADA esquecido.
Sempre um ditado que carrego comigo até hoje: "olhar pra trás e conferir tudo antes de sair de cada ambiente".
Agora pulando alguns anos adiante, entre 2017 e 2018 estive trabalhando na Dtrip Entretenimento em São Carlos, e uma das partes do meu trabalho que testava minha atenção, paciência e concentração era lidar com planilhas e mais planilhas.
Uma maior e mais complexa que a outra e cheias de detalhes que não podia deixar passar 🤣
E HOJE, pra fazer jus à frase com que comecei esse texto...
Me encontro viajando pelo México - um sonho antigo que tinha de passar um tempo fora do meu país conhecendo outra cultura, experimentando estar fora dos meus padrões e deixando a vida me apresentar as experiências.
E minha viagem de alguns meses somente se faz possível porque estou trabalhando como voluntário em alguns hostels em troco de hospedagem e às vezes alimentação...
E a ironia é que hoje me encontro trabalhando na recepção de um hostel onde tenho que estar completamente atento à planilha de reservas e registros de check in, check out e pagamentos e locações de hóspedes, bem como controlar o caixa de entrada e saída de dinheiro.
Em outros momentos, tenho que ser rápido retirando roupas de cama e as preparando novamente para as próximas entradas.
E outro dos meus trabalhos, é acordar cedinho, antes de todo mundo, fazer compras e preparar café da manhã para todos os hóspedes com a pressão de ter que falar inglês com um koreano, espanhol com uma holandesa, português com português...rs....entender tudo, controlar as quantidades e servir a todos sem perder a paciência.
E no final?
Tudo limpo, tudo no lugar 
É uma experiência simples, sei que muitos já passaram, mas pra mim é gigantesco estar vivendo tudo isso e lembrar quantas vezes ouvi: "Fred, um dia tudo isso que você tá passando vai fazer sentido, acredita em mim".
Queria partilhar isso com vocês.
Só posso dizer obrigado!