quarta-feira, 20 de junho de 2007

Insatisfação perpétua.

A sociedade do medo nos dá soluções práticas para vivermos o nosso dia-a-dia em "tranquilidade": cercas elétricas, alarmes, segurança particular, pit-bulls adestrados.
O mundo lá fora é selvagem, então como se proteger?
A resposta: se trancafiando.
Mas trancafiado, como podemos saber do mundo e gastar o pequeno tempo ocioso que ainda nos resta? Onde empregar o dinheiro que ganha-se trabalhando exaustivamente?
Televisão, internet, rádio.
Jornais impressos e revistas se tornam referências de luxo ou intelectualidade numa sociedade formada por indivíduos de vidas vazias que na maioria das vezes, optam pela televisão para se assistirem em um espelho espetacular de suas vidas empobrecidas.

Um garoto de dez anos de idade, ainda não sabe como se comunicar pessoalmente, visto que desde os sete, sempre conversou pela internet.
A ansiedade toma conta de uma geração que acostuma-se cada vez mais com uma individualidade sem subjetivação.

O olhar crítico falta, a apatia reina, o querer é o verbo da vez, o ter representa sua visibilidade.
E assim somos influenciados a desejar e fantasiar utopias mercadológicas que nos darão produtos mascarados de satisfação, mas que nos manterão em eterna vontade de ter mais.
Frustrados, morreremos e seremos enterrados em caixões estilizados, tendo antes um velório com pay per view.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Confronto nas favelas do RJ. Qual o seu Bicho Papão?

Nesse fim de semana, abri a Folha de SP no sábado e gostei de uma matéria que li.
É muito gratificante encontrar num jornal um artigo com real senso crítico.
O artigo dá alguns dados e nos conta um pouco do que tem ocorrido durante a ação de confronto que a polícia vem executando num complexo de favelas no Rio de Janeiro.
Vou colocar alguns pedaços aqui pra vocês lerem.

Luis Vianna, Márcia Brasil, Raphael Gomide e Sergio Torres:
"Após 152 dias da posse do governo de Sérgio Cabral Filho (PMDB), a polícia tem se deparado com com o seguinte dilema em sua ação num complexo de favelas da zona norte do RJ: grande frequência de confrontos sem inteligência, e pequenos momentos de atuação inteligente.
Um mês de megaoperação com mais de mil policiais no Complexo do Alemão resultou em 55 feridos, 17 mortos, 10 suspeitos presos, 13 armas e 240 kg de drogas apreendidos. Nas operações de 2007, a polícia fluminense matou 40% mais! Prendeu 23% menos! E apreendeu 9% menos drogas e 8% menos armas do que no ano passado.

CRESCERAM OS CASOS DE BALA PERDIDA.

No Complexo do Alemão e favelas da Penha vivem mais de 150 mil pessoas.
Estima-se que MENOS DE 1% TENHA ENVOLVIMENTO COM TRÁFICO.


Com a operação policial, os lojistas calculam perdas de r$ 5 milhões, os imóveis se desvalorizaram em 30%, o lixo não vem sendo recolhido, o abastecimento de água está precário, telefones fixos não funcionam, e a luz já foi cortada".

Luiz Vianna:
O filho mais velho da balconista Nilda Braga tem 12 anos e o sonho de ser administrador de empresas. Mas por causa do conflito na Vila Cruzeiro, sua escola está fechada e seu sonho, mais distante.
As 6 escolas de ensino fundamental e as 3 creches do complexo estão fechadas.
Antônio Tibúrcio - presidente da Associação de moradores da Vila Cruzeiro disse:
O SOCIAL PAROU, A EDUCAÇÃO PAROU, A ECONOMIA PAROU. SÓ RECEBEMOS BALA.

Por causa destas balas, os dias de Nilda e seus dois filhos passaram a ser maiores e piores.
"Tem semana que a gente só dorme três noites em casa. Eu ligo antes, se a situação estiver ruim, não volto", diz.
"Tudo ficou pior. Não temos nada a ver com essa situação e estamos pagando o pato", conta Nilda.

Antônio Tibúrcio reforça, "Se o confronto parasse hoje, levaríamos uns três anos pra nos recuperar. E as crianças principalmente, vão precisar de ajuda psicológica. Elas choram só ao ouvir fogos e vêem o Caveirão - carro de operação militar - como o bicho papão".

À medida que a sociedade evolui, evolui com ela suas belezas e suas mazelas.
Suas belezas?
Apenas algumas, visto que as belezas naturais são cercadas por donos milionários que as compram e não nos deixam mais vê-las, ou então são simplesmente destruídas.
Triste saber que em meio a tudo isso, existem pessoas destinadas a uma coincidência de fatos fatais.
Pois é.
Hoje, o raio cai duas vezes no mesmo lugar!

Rodrigo de Oliveira, 19, morador da Vila Cruzeiro, foi baleado na tarde de 2 de maio, sendo atingido por uma bala perdida no pé esquerdo. Levago ao HGV (Hospital Getúlio Vargas), foi liberado no mesmo dia.
Dezesseis dias depois voltou ao HGV morto.
Foi atingido por uma bala perdida no pescoço.


E viva a democracia burguesa!
Deixemos a minoria do país intacta, continuemos sem opções para a maioria, e compremos tanques de guerra.

Concorda?