quarta-feira, 20 de junho de 2007

Insatisfação perpétua.

A sociedade do medo nos dá soluções práticas para vivermos o nosso dia-a-dia em "tranquilidade": cercas elétricas, alarmes, segurança particular, pit-bulls adestrados.
O mundo lá fora é selvagem, então como se proteger?
A resposta: se trancafiando.
Mas trancafiado, como podemos saber do mundo e gastar o pequeno tempo ocioso que ainda nos resta? Onde empregar o dinheiro que ganha-se trabalhando exaustivamente?
Televisão, internet, rádio.
Jornais impressos e revistas se tornam referências de luxo ou intelectualidade numa sociedade formada por indivíduos de vidas vazias que na maioria das vezes, optam pela televisão para se assistirem em um espelho espetacular de suas vidas empobrecidas.

Um garoto de dez anos de idade, ainda não sabe como se comunicar pessoalmente, visto que desde os sete, sempre conversou pela internet.
A ansiedade toma conta de uma geração que acostuma-se cada vez mais com uma individualidade sem subjetivação.

O olhar crítico falta, a apatia reina, o querer é o verbo da vez, o ter representa sua visibilidade.
E assim somos influenciados a desejar e fantasiar utopias mercadológicas que nos darão produtos mascarados de satisfação, mas que nos manterão em eterna vontade de ter mais.
Frustrados, morreremos e seremos enterrados em caixões estilizados, tendo antes um velório com pay per view.

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