terça-feira, 17 de março de 2020

Vendo o fim

Tá me dando uma tristeza pelo mundo.
Pelos seres humanos.
Não to com raiva de ninguém...nem dos americanos comprando armas, nem dos bolsominions...
Tá todo mundo desesperado.
Há a desigualdade social, na qual no dia de hoje, uns sofrem mais do que outros. Muito mais!
É injusto, é indignante, não dá pra acreditar!
Mas não to com raiva de ninguém.
Um entregador de pizza errou de casa...trouxe aqui, mas não pedimos.
To bem machucado com esse pensamento sobre o lado mais fraco da corda que vai sofrer muito com tudo isso que está acontecendo agora.
Com aqueles que não vão aguentar...negócios que vão fechar...gente que vai ficar sem emprego...
Com todos que vão atrasar contas, ter que mudar planejamentos, depois pagar prejuízos...os que não tem condições de se cuidar...que pra eles, esse vírus simboliza o que lado a lado com a fome? Lado a lado com o esgoto a céu aberto, com a bala endereçada, com a terra seca, com a incerteza do almoço, com a dengue, a malária, a subnutrição.
Em São Paulo estive num restaurante numa rua chique e descolada em Pinheiros.
Observava as pessoas lindas passeando. Mas quem mais me chamou a atenção foi o rapaz jovem...que não faz parte daquilo, porque está com uma bicicleta alugada, e uma mochila do Rappi nas costas fazendo a dele por ali.
Também o senhor que passou com a bicicleta velha do Supermercado Padrão, com uma daquelas caixas de plástico na garupa indo entregar algo.
Eu to pensando nessas pessoas que sofrem o tempo todo.
Sofrer faz parte da vida.
Mas tem um sofrimento muito injusto. Muito.
E às vezes eu me sinto mal de desfrutar uma boa vida.
Me sinto em dívida. Me sinto como se a injustiça fosse minha.
Nessas horas eu entendo tanto o meu pai.
Mas muito mesmo.
Carregou as dores do mundo e sofreu tanto por não ver a solução.
To triste pelo desespero das pessoas, pelas mortes, pela falta de infra estrutura.
To triste de acordar de novo para o tamanho da nossa vulnerabilidade e fragilidade.
O fim dos tempos será democrático. Não poupará ninguém.
Será que alguns vão acordar pra algo?
Vivo num país que nunca precisou se dar as mãos após um terremoto, um tsunami ou um furacão.
Mas que convive com a morte diariamente.
E que acha normal o emprego de vender amendoim debaixo de sol das 8h às 22h no sinal.
Tudo isso porque um entregador de pizza veio aqui.
E errou o local.
Até quando, o fato de existir UMA pessoa que seja morrendo de fome no mundo, não será motivo pra a gente mudar radicalmente nosso modo de vida?
Olha...
É difícil ter fé!
Dai-me força Pai, nessa hora.

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