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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
2007: a profecia se fez como previsto.
O rap vale mais que uma metralhadora. Os quatro pretos periféricos demarcaram um território, mostrando que as quebradas são capazes de inverter o jogo, e o ácido da poesia pode corroer o sistema.
Eleilson Leite
Uma década se passou e a profecia anunciada pelos Racionais MC’s vem se confirmando a cada ano. Em 1997, Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay trouxeram ao mundo uma obra que marcou o rap nacional em definitivo e lançou as bases do que, hoje, chamamos de Cultura de Periferia.
Eleilson Leite
Uma década se passou e a profecia anunciada pelos Racionais MC’s vem se confirmando a cada ano. Em 1997, Mano Brown, Ice Blue, Edy Rock e KL Jay trouxeram ao mundo uma obra que marcou o rap nacional em definitivo e lançou as bases do que, hoje, chamamos de Cultura de Periferia.
Estou falando do CD Sobrevivendo no Inferno. Esse disco alçou o grupo à condição de maior representante, no Brasil, de um gênero musical que renovou a música no planeta.
Pode observar. Quando algum artista quer dar uma roupagem moderna às suas canções, o produtor bota lá uns scratches, faz uma colagem com letras de rap ou tenta copiar os manos que dominam a composição rimada e ritmada do rythman and poetry.
Mas a qualidade artística de Sobrevivendo no Inferno é apenas um lado desse marco. O CD é um manifesto. Do começo ao fim, canção por canção, os Racionais vão compondo a carta de intenções do gueto. Uma declaração de revolta — revide de quatro sobreviventes. Suas armas? O rap que vale mais do que uma rajada de metralhadora.
Mas a qualidade artística de Sobrevivendo no Inferno é apenas um lado desse marco. O CD é um manifesto. Do começo ao fim, canção por canção, os Racionais vão compondo a carta de intenções do gueto. Uma declaração de revolta — revide de quatro sobreviventes. Suas armas? O rap que vale mais do que uma rajada de metralhadora.
Com seu “verso violentamente pacífico” os quatro pretos periféricos demarcaram um território, até então, definido apenas pela concentração da pobreza, violência e descaso das autoridades.
Nesse disco, os Racionais mostraram uma periferia poderosa, capaz de reverter o jogo.
Nesse disco, os Racionais mostraram uma periferia poderosa, capaz de reverter o jogo.
Uma periferia altiva, consciente de sua condição social e do quanto lhe foi negado. Um povo que, durante décadas, foi amontoado nos arrabaldes, volta-se agora contra os que a empurraram pro gueto. “A fúria negra ressuscita outra vez…”, anuncia Mano Brown.
E vestidos com “as roupas e armas de Jorge”, esses quatro jovens, na faixa dos 27 anos, convocavam, na época, todo povo pobre do Brasil. “Periferia é periferia em qualquer lugar”, dizia Edy Rock em inspirada canção.
Estava decretado o orgulho e a exaltação do ser periférico.
Com mais de 1 milhão de discos vendidos oficialmente (e, pelo menos, a mesma quantidade reproduzida, digamos, extra-oficialmente...), esse poderoso manifesto, até hoje, cala profundamente e ainda vai influenciar multidões.
Com mais de 1 milhão de discos vendidos oficialmente (e, pelo menos, a mesma quantidade reproduzida, digamos, extra-oficialmente...), esse poderoso manifesto, até hoje, cala profundamente e ainda vai influenciar multidões.
Os Racionais mostraram que a poesia pode corroer o sistema, constranger as elites. Um ano depois de lançar o Sobrevivendo no Inferno, o grupo ganhou o Vídeo Music Award da MTV com o clipe da canção mais famosa do disco — Diário de um Detento. Surpreendendo a todos, ao aparecer para receber o troféu Mano Brown disparou: “dedico este prêmio a minha mãe que me criou lavando muita roupa suja de playboys como vocês…”.
Não, Mano, o sistema não está sob teus pés. Mas a periferia tornou-se altiva, admirada, consicente de sua condição e do quanto lhe foi negado
Em uma das faixas do CD, a que mais gosto, Estou ouvindo alguém me chamar, a letra fala de um jovem que se inicia no mundo do crime. Seu batismo foi num assalto a uma butique do Itaim. “Todo mundo pro chão, pro chão, o cofre já estava aberto, o vigia tentou ser mais esperto…”, e por aí vai. Em tom reflexivo, vem conclusão dessa parte da história: “Pela primeira vez eu vi o sistema aos meus pés, apavorei, desempenho nota 10”. Imagino que o Mano Brown e seus amigos, diante daquela platéia de brancos bem-nascidos no evento da MTV, tenham pensado o mesmo.
Não, Mano, o sistema não está sob teus pés. Mas a periferia tornou-se altiva, admirada, consicente de sua condição e do quanto lhe foi negado
Em uma das faixas do CD, a que mais gosto, Estou ouvindo alguém me chamar, a letra fala de um jovem que se inicia no mundo do crime. Seu batismo foi num assalto a uma butique do Itaim. “Todo mundo pro chão, pro chão, o cofre já estava aberto, o vigia tentou ser mais esperto…”, e por aí vai. Em tom reflexivo, vem conclusão dessa parte da história: “Pela primeira vez eu vi o sistema aos meus pés, apavorei, desempenho nota 10”. Imagino que o Mano Brown e seus amigos, diante daquela platéia de brancos bem-nascidos no evento da MTV, tenham pensado o mesmo.
De repente, diante dele, centenas rapazes e moças de bochecha rosada aplaudindo-o por ter feito um clipe falando do massacre de 111 presos, quase todos pretos, todos pobres, gente encarada pelo Estado como entulho. Não, Mano Brown, o sistema ainda não está sob seus pés. Como você próprio diz, és um “efeito colateral que seu sistema fez…”. Mas os Racionais abriram um caminho. Como é dito no CD/Manifesto: “eu sou apenas um rapaz latino-americano apoiado por mais de 50 mil mano…”.
Penso que a “base social” dos Racionais tenha multiplicado- se pelo menos dez vezes.
Penso que a “base social” dos Racionais tenha multiplicado- se pelo menos dez vezes.
Depois de Sobrevivendo no Inferno, veio o Ferrés, mostrando que na Favela tem escritor de qualidade. Surgiram o Samba da Vela, o Sarau da Cooperifa e outros tantos movimentos que engrandecem a periferia. A última canção do disco chama-se Salve. Nela, os músicos dos Racionais citam mais de 60 quebradas: Jardim Ângela, Jardim Ebrom, Vaz de Lima, Vila Calu, Grajaú, Cidade Tiradentes, São Mateus, Brasilândia etc.
São regiões da metrópole paulistana que só apareciam nas páginas policiais e nos registros dos detentos nas delegacias e no extinto Carandiru. Mas hoje, caros racionais, graças ao talento e à firmeza ideológica, para usar uma expressão cara ao MST, de artistas como vocês, esses bairros periféricos aparecem, cada vez mais, como redutos de uma arte original, bela e comovente.
Não por acaso surgiu a Agenda Cultural da Periferia.
Não por acaso surgiu a Agenda Cultural da Periferia.
O movimento cultural já justifica um Guia próprio.
Uma novidade surgida em 2007 que nos enche de orgulho. De São Mateus, vem o melhor disco de samba do ano com o registro fonográfico do Berço do Samba de São Mateus.
Um dos projetos literários mais interessantes do ano é a Coleção Literatura Periférica, da Global Editora, que trouxe, nos três primeiros volumes lançados neste ano, Sergio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo.
O Sacolinha já foi escolhido para a Jornada Literária de Passo Fundo do ano que vem. O Vaz recebeu proposta para traduzir sua obra na França. O Buzo logo será assediado por cineastas em busca de uma história original, veloz e instigante.
E para 2008 teremos mais.
Dez anos depois, a profecia se cumpre outra vez.
Dez anos depois, a profecia se cumpre outra vez.
Neste grande ano, o exemplo maior, entre tantos outros, da força da cultura suburbana, foi a realização da Semana de Arte Moderna da Periferia, realizada em novembro, liderada pelo Sarau da Cooperifa.
Nesse evento, o povo do gueto mostrou bem o que diz o belo samba interpretado por Beth Carvalho: “da fruta que eles gostam, eu como até o caroço…”. Salve Racionais MC’s. Salve Periferia. Que 2008 tenha muito mais arte.
Não tenho dúvida. Por meio da cultura, pode-se virar o jogo.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
BAIXE GRÁTIS A MINHA DEMO!
Link pra baixar:
Pra quem não conhece o rapidshare, é simples:
1- copie o link e cole no seu navegador
2- desça a barra de rolagem, e clique lá em baixo no botão escrito "free"
3- no meio da tela, surge uma contagem regressiva. aguarde-a terminar
4- aparecerá uma caixa para digitar um código que estará logo acima.
5- digite o código que vc estará vendo, clique em download e escolha em qual pasta do seu computador deseja salvar o disco.
5- digite o código que vc estará vendo, clique em download e escolha em qual pasta do seu computador deseja salvar o disco.
6- pronto! fica na vibe aeeeeeee....

terça-feira, 11 de dezembro de 2007
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Momentos

ouça esse som em www.myspace.com/fredgomes
Esse é o tipo de momento onde palavras não são necessárias.
O que se vê é o que se sente, não se sabe se a mente está a funcionar.
A imaginação retrata, o coração recebe, a fé engrandece a coragem de viver.
Acreditando que eu possa contar pra você, experiência que eu tenho que me faz crescer.
Olhar o mundo e discutir comigo mesmo o que eu preciso pra viver.
E quando eu chego num consenso, a vibe é boa, eu vou te dizer.
Aquilo tudo que eu penso que eu quero, que eu sei que é imposto pela mídia, propaganda bem pensada feita pra nos convencer, mas não vou me deixar vencer.
Então eu limpo a minha mente, e no final de tudo isso eu encontro uma resposta:
O que eu quero é você.
Essa é uma música de amor à vida.
Essa é uma música de amor aos amigos.
Essa é uma música de amor à família.
Essa é uma música de amor à música.
Essa é uma música de amor e esperança.
Essa é uma música de amor aos inimigos.
Essa é uma música de amor aos amores.
Essa é uma música de amor à música.
E quando eu vejo um menino empinando a sua pipa, cinco garotas voltando da escola.
No meio do quarteirão tem os moleques jogando bola.
São várias esperanças correndo risco de serem jogadas fora.
O pôr do sol já vem chegando, mais um dia se passou.
Várias indignações, mas a minha fé em Jah ninguém matou.
Então eu continuo olhando para a simplicidade, imaginando novos tempos que hão de chegar.
Imaginando novos tempos que contigo eu vou passar, então...
Essa é uma música de amor à vida.
Essa é uma música de amor aos amigos.
Essa é uma música de amor à família.
Essa é uma música de amor à música.
Essa é uma música de amor e esperança.
Essa é uma música de amor aos inimigos.
Essa é uma música de amor aos amores.
Essa é uma música de amor à música.
Esse é o tipo de momento onde palavras não são necessárias.
O que se vê é o que se sente, não se sabe se a mente está a funcionar.
A imaginação retrata, o coração recebe, a fé engrandece a coragem de viver.
Acreditando que eu possa contar pra você, experiência que eu tenho que me faz crescer.
Olhar o mundo e discutir comigo mesmo o que eu preciso pra viver.
E quando eu chego num consenso, a vibe é boa, eu vou te dizer.
Aquilo tudo que eu penso que eu quero, que eu sei que é imposto pela mídia, propaganda bem pensada feita pra nos convencer, mas não vou me deixar vencer.
Então eu limpo a minha mente, e no final de tudo isso eu encontro uma resposta:
O que eu quero é você.
Essa é uma música de amor à vida.
Essa é uma música de amor aos amigos.
Essa é uma música de amor à família.
Essa é uma música de amor à música.
Essa é uma música de amor e esperança.
Essa é uma música de amor aos inimigos.
Essa é uma música de amor aos amores.
Essa é uma música de amor à música.
E quando eu vejo um menino empinando a sua pipa, cinco garotas voltando da escola.
No meio do quarteirão tem os moleques jogando bola.
São várias esperanças correndo risco de serem jogadas fora.
O pôr do sol já vem chegando, mais um dia se passou.
Várias indignações, mas a minha fé em Jah ninguém matou.
Então eu continuo olhando para a simplicidade, imaginando novos tempos que hão de chegar.
Imaginando novos tempos que contigo eu vou passar, então...
Essa é uma música de amor à vida.
Essa é uma música de amor aos amigos.
Essa é uma música de amor à família.
Essa é uma música de amor à música.
Essa é uma música de amor e esperança.
Essa é uma música de amor aos inimigos.
Essa é uma música de amor aos amores.
Essa é uma música de amor à música.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Verdade Escondida
ouça esse som em: www.myspace.com/fredgomesEm Jah a verdade está contida.
Monte Zion, retorno pra curar toda ferida.
Olhamos pro passado e tentamos limpar.
Toda mancha, toda decepção histórica .
Pra falar de opressão não me falta exemplo.
Pra falar de opressão, até me falta tempo.
A evidência que sustenta o inevitável confronto entre a desigualdade e a tão calada justiça, está escrita em sangue pelas páginas do tempo.
Pra falar de opressão não me falta exemplo.
O povo sempre foi marcado pelo sofrimento.
Monte Zion, retorno pra curar toda ferida.
Olhamos pro passado e tentamos limpar.
Toda mancha, toda decepção histórica .
Pra falar de opressão não me falta exemplo.
Pra falar de opressão, até me falta tempo.
A evidência que sustenta o inevitável confronto entre a desigualdade e a tão calada justiça, está escrita em sangue pelas páginas do tempo.
Pra falar de opressão não me falta exemplo.
O povo sempre foi marcado pelo sofrimento.
Capítulo, parágrafo, do livro do lamento que é a vida, pode crê.
Mas não vou esquecer, que tem gente que ta na luta, ta na luta pra vencer.
Forças do futuro se preparam para amenizar.
As marcas dessa decepção histórica.
Mas não vou esquecer, que tem gente que ta na luta, ta na luta pra vencer.
Forças do futuro se preparam para amenizar.
As marcas dessa decepção histórica.
Tempos estão mudando, a gente não consegue acompanhar.
Mártires morreram pra uma lição nos ensinar.
Tremores vindos debaixo vibram com toda fúria.
O dedo no gatilho fica mais justo a cada dia.
Nossa paciência já está se acabando.
Nossas mentes eles estão sempre violando.
Sem sentimento, nem piedade, ninguém pode explicar.
Explosivos, sem se abalar, nosso prazer e sofrimento.
Tem muita coisa que ta na cara, mas muita gente não consegue ver.
Porque simplesmente olhar, não te faz entender.
É preciso pensar, é preciso refletir.
O preconceito deixa de lado senão você não vai sair do lugar comum, que muita gente se encontra .
Porque simplesmente olhar, não te faz entender.
É preciso pensar, é preciso refletir.
O preconceito deixa de lado senão você não vai sair do lugar comum, que muita gente se encontra .
Eu to ligado, sou só mais um, mas muita gente se espanta.
Quando a gente pega o microfone e a realidade canta.
domingo, 11 de novembro de 2007
ELA SABE

ouça essa música em: www.myspace.com/fredgomes
Será que você sabe o quanto eu penso em você?
Fico imaginando a hora que eu vou poder te ver.
É fácil de sentir, difícil de entender.
De repente vem, de repente vai.
Garota, garota, sabe o que acontece.
Com a minha mente ela sabe que mexe.
Inspiração vem, inspiração vai.
Inspiração que todo raggaman precisa pra rimar.
Inspiração vem, inspiração vai.
Inspiração no seu sorriso eu sempre consigo encontrar.
A vida pra viver, fica mais feliz com você.
Enfrento a babylon todo dia sem temer.
E quando chego em casa, seu sorriso cura toda dor,
tudo que passei, tudo que me indignou.
Todo homem precisa de uma mulher ao seu lado.
Parceira que deixa o raggaman tranquilo e inspirado.
Ela traz toda calmaria pra poder ficar de boa.
Quando a gente encontra alguém especial, a mente voa.
Então tem que ficar ligeiro pra não perder ela à toa.
Fica esperto no dia-a-dia, senão rapidinho ela enjoa.
Com a desculpa da rotina ela fala que cansou.
Então já era, tchau, só a lembrança que restou.
Então você mediu, então você pesou.
Tirou tudo que foi ruim, o que foi bom ficou.
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